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27 de novembro de 2009 - 16:23

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Uma... Atitude

Ana Hickmann
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Para quem tem pernas de 1,20 m de comprimento, avançar com rapidez não é o maior desafio. Mas para chegar aos 27 anos bem-sucedida e equilibrada em cima do salto (bem mais de 400 pares de sapatos) é preciso ser muito mais do que poderosa. Tem que ser

Ana Hickmann

Por Melissa Lenz
Fotos Rogério Mesquita
Realização Tomaz Souza Pinto
Produção de moda Cristian Heverson e Anselmo Honorattho
Cabelo e maquiagem Celso Kamura (C.Kamura)

 

“Pernas pra que te quero?”
Esperamos mais de um ano para, enfim, realizarmos essa matéria. Você já deve presumir que uma mulher como ela deve correr bastante. E desde às 5h30 da manhã, hora em que de segunda a sexta-feira pula da cama para se dirigir à sede da rede Record, onde passa quatro horas com os colegas Britto Jr, Eduardo Guedes e Chris Flores gravando o programa matinal Hoje em dia. Mas nesta tarde ela está de folga. Ou quase. Marcamos o ensaio no estúdio fotográfico em São Paulo às 15h, mas só terminamos ao anoitecer. (Afinal, para ter glamour não basta nascer bonita, querida, tem que trabalhar na mesma proporção e muitas vezes cantando “lerê-lerê”!)

“Vale tudo pela vaidade, desde que seja para deixar você feliz e não para mostrar aos outros. Tem dias que sou a própria perua, em outros, mais básica”

Não é por acaso que a gaúcha Ana Lúcia Hickmann Corrêa diz não acreditar em destino, “só em oportunidade”. Aos 15 anos, ela deixou a cidade de Santa Cruz do Sul com algumas amigas para tentarem realizar um sonho em São Paulo: deslanchar na carreira de modelo. Mas Ana foi a única das aspirantes que conseguiu ser contratada por uma agência. “Acredito que as coisas acontecem quando a gente vai atrás, mas você tem que saber aproveitar as situações. Escolher se aceita o desafio e ir adiante ou não”, comenta a loira, enquanto se rende aos pincéis mágicos do maquiador Celso Kamura (SP). “Quando saí do sul, não fazia nenhuma idéia do que era a vida de modelo”, diz. E garante que sempre foi em frente movida pela paixão, sem se deixar vencer pelo medo ou pela solidão, essa que é um dos piores ele- mentos-surpresa de quem opta por essa carreira ainda na adolescência. “Você passa mais tempo do que imagina sozinha e mesmo quando está rodeada de gente, muitas vezes continua se sentindo só”, diz. “Para uma jovem entender isso no início é complicado. Feliz de quem sempre teve o pai ou a mãe por perto para apoiar e mostrar a direção”. Quando Ana iniciou sua carreira internacional, em 1998, na França, seus pais só puderam acompanhá-la à distância, mas nem por isso ela ficou na mão. “Tive a sorte de ter meu marido do meu lado, que é o meu porto seguro”, diz, referindo-se a Alexandre Corrêa, também seu agente. O casamento precoce veio por uma necessidade naquela época, pois como ela só tinha 17 anos, não poderia tirar seus documentos de trabalho para embarcar a Paris, a não ser que fosse emancipada. E uma das possibilidades para que isso fosse possível era justamente o casamento. “Lembro que a gente até brincou: Ah, qualquer coisa a gente casa hoje e separa amanhã”, diverte-se, garantindo que a união, que completa 11 anos em fevereiro de 2009, continua maravilhosa. “Hoje eu realmente não consigo me imaginar sem o Alexandre comigo”, derrete-se.

PENSE RÁPIDO Hoje a supermodelo, apresentadora de TV e empresária (ela tem vários produtos do segmento da moda licenciados com a sua marca) diz tomar 70% de suas decisões movida pela intuição. “Os outros 30% são mais ou menos um consenso entre a minha palavra, a do meu marido e a das pessoas que trabalham comigo”. Mas lá no início, quando tinha menos experiência, todas as escolhas que impulsionariam sua invejável carreira eram totalmente guiadas pelo feeling. Será que as famosas pernas de 1,20 m de comprimento também ajudaram? “Olha, dá pra se dizer que sim”, brinca o mulherão de 1,85 m, e admite: “Mas atrapalharam bastante também! Por eu ser muito alta foi com- plicado no começo; todos me achavam grande demais e sempre foi difícil entrar nas roupas, tudo tinha que ser feito sob medida”. Imagine que estar fora dos padrões em algum momento fez com que até ela sofresse da mal- dita “síndrome do Patinho Feio”. Ana conta que aos 13 anos chegou a usar manequim 48. (Eu mesma não acreditei, até que ela levantou um pouco a blusa e me pegou de surpresa: “Acha que isso é do quê?”, perguntou, apontando uma minúscula estria um pouco abaixo do umbigo. “É de um pneu que eu tinha na barriga, uma loucura!”) Porém, como tudo acontece de forma rápida e natural na vida dela, emagreceu ainda na adolescência, sem muito drama. “Mas foi porque eu adorava praticar esportes, não por ser neurótica pela aparência física”, deixa claro. Na escola, Ana começou a jogar basquete, fazer musculação e dançar jazz, o que a ajudou a reduzir em quatro números o manequim, entre os 14 e os 15 anos. “Quando vim para São Paulo trabalhar como modelo, perdi um pouco mais de peso e aí sim, fui para o 38 (número que veste até hoje)”, revela.

“Não acredito em destino, só em oportunidade”

“Já tive tantas vitórias até hoje, que acho que vou passar ilesa pela crise dos 30”


MODA E BELEZA

Ana prefere se vestir de forma casual e contemporânea. “Às vezes sou a própria perua, uso dourado e tudo o que você imaginar. Em outros momentos sou mais básica.” Para ela, a moda pode fazer duas coisas: elevar sua auto-estima ou derrubá-la no chão. “Quem tem medo de se olhar no espelho e de se encontrar, acaba usando a moda contra si mesma. Porque, se você pega uma página de revista e acha que tem que copiá-la para ficar bem é claro que não vai se sentir confortável” observa. Como exemplo, conta o caso de uma maquiadora de peitos enormes que conheceu nos Estados Unidos. “Ela gostava de usar decotes e vestidos rodados, então alguém falou: ‘Nossa, como você está cafona’. Ela respon- deu: ‘Eu me amo, adoro me ver assim’. E tinha razão, se estava feliz daquele jeito ninguém poderia lhe dizer o contrário”, observa, embora lamente o fato de muitas mulheres não conseguirem se sentir autênticas e segu- ras. “Elas vão muito pelo que a moda acaba passando, nunca pelo que sentem. Deveriam, sim, usar tudo aqui- lo o que lhe dizem, mas da forma que elas querem fa- zer. Quanto à vaidade, Ana acha que vale tudo para fi car mais feliz, mesmo se for para se submeter a cirurgias plásticas, botox, lipoaspiração, etc. “Não tenho nada contra; tecnologia, beleza e saúde, tudo isso caminha junto. O importante é fazer para a auto-estima e não para mostrar aos outros”, opina.

TERAPIA & OUTRAS MANIAS
Ana nunca fez análise, mas confessa ter vivido uma fase da vida em que era adepta fervorosa da terapia do cartão de crédito. Hoje, para fugir do estresse, ela se re- fugia em seu orquidário. “Lá eu me fecho; não sou de extravasar”. Sua maior compulsão é, sem dúvida, por sapatos. “Até parei de contar, mas já passei dos 400 pa- res!” Já usou todos? “Não... tem um que ainda me es- pera.” (risos) Qual o seu maior pecado capital? “A gula. Não ligo para doces, mas se me colocar diante de uma mesa cheia de salgados, não resisto!” Ana é uma mulher que aos 27 anos demonstra tanta se- gurança e maturidade profi ssional que é difícil imaginá- la enfrentando uma crise dos 30. “Acho que já vivi tantas coisas, boas e ruins, e tive tantas vitórias nesses 13 anos de trabalho, que, tenho certeza, por essa vou conseguir passar ilesa.” (risos) Ela diz que quer crescer ainda mais na TV e pergunto se já pensou em fazer cinema. “De jeito nenhum! Não tenho vontade”. E filhos? “Quero, mas não agora. Tudo aconteceu muito cedo na minha vida, por isso, vou me dar o luxo de esperar mais um pouco.” Aos 30 minutos de conversa, a equipe, apreensiva com o relógio, acena para eu parar. Nossa estrela está linda e maquiada. Agradeço a entrevista e desligo o gra- vador. Ana levanta-se e aproxima-se de uma mesa que não é de doces nem de salgados, vira-se para mim e fala: “Anote aí: pensando bem, meu maior pecado capital não é a gula, mas sim a luxúria... por jóias.”

A mulher do novo século

“O que mais me impressiona em Ana Hickmann é sua determinação e força de vontade. Quando o Hoje em dia termina, ela sai da Record e ainda tem energia para encarar uma série de compromissos: ensaios fotográfi cos, eventos, viagens, reuniões... Não consigo entender de onde Ana tira tanta disposição! E nos fi nais de semana, lá vai ela rumo ao aeroporto, às vezes, viajar para dois estados diferentes. A rotina é alucinante e, mesmo assim, difi cilmente Aninha demonstra cansaço e sempre chega à emissora com aquele entusiasmo. É bom ser colega de alguém com um pique desses, que acaba contagiando a todos. A razão dessa maratona diária é muito simples: a Ana Hickmann apresentadora não anulou a Ana Hickmann modelo publicitário. Com o tempo, a TV vai absorver sua agenda mais e mais e ela nunca vai deixar de ser uma mulher superocupada, ou seja, uma típica mulher do novo século, cheia de compromissos e com pouquíssimo tempo para descansar, mas esse é o preço do sucesso.” Britto Jr., apresentador de TV e um dos melhores amigos de Ana Hickmann


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