Amor, afinidade e respeito são outra coisa. Estamos falando da libido, aquela energia que dá vontade de nos relacionarmos física e sexualmente com alguém. Faça o teste e entenda como funciona esse mecanismo, que tem fases e intensidades diferentes ao longo da vida, e veja que essa variação é absolutamente normal.
Por Isabela Leal
Depois de 4 anos de relacionamento, metade das mulheres não sentem mais o furor do início.
No homem, a libido permanece inalterada.
Quem nunca virou para o lado, fingindo que estava dormindo, para não precisar transar? Simulou uma longa dor de cabeça ou, ainda, declarou ter muito mais tarefas do que na realidade, só para não ter que cair nos lençóis e fazer amor? Que atire a primeira pedra. Até aqui, tudo bem. É normal, é humano e todo mundo fez, faz ou vai fazer isso um dia. O sinal de alerta é acionado quando essa fuga é uma constante e encarar uma relação sexual se torna sinônimo de terror. “O desejo pode ser abalado por diversos motivos, como luto, perdas, decepção, filhos, parto complicado, problemas profissionais ou de saúde na família. Mas o que é preciso entender é que essa fase não deve se estender tanto”, avisa a psiquiatra Carmita Abdo, coordenadora do Projeto de Sexualidade do hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (ProSex). Concorda com ela o psiquiatra Alexandre Saadeh (SP), do Instituto de Psiquiatria do mesmo hospital: “Esse período de afastamento não deve ser longo. Por outro lado, é difícil quantificar o que significa ultrapassar o limite do saudável, ainda mais em algo subjetivo como o sexo. Mas acredito que se chegar a seis meses é preocupante e precisa ser analisado”, esclarece o professor.
O fim da paixão
Que esse sentimento tem prazo de validade ninguém discorda. O problema é perceber e aceitar que o fascínio e a atração física diminuem com o tempo e saber tirar proveito disso. “Depois de um longo período de convivência é normal a paixão ser substituída por um sentimento mais tranqüilo, galgado na percepção real do outro, sem tanta fantasia”, diz Carmita. Para a psicóloga Laila Pincelli (SP) esse processo é uma evolução. “A paixão pode ou não evoluir para o amor. Quando isso acontece, não é imprescindível que o casal seja tão fogoso, pelo contrário”, aponta a terapeuta de casais, autora do estudo de pós-graduação “Mulher solteira procura... O quê? Atitudes de mulheres solteiras frente à possibilidade de relacionamento amoroso”. E ela vai além: “Esse fogo eterno é ilusório, praticamente irreal, só acontece em casos esporádicos, onde há muita dedicação e química entre os parceiros. É muito raro ter essa atração intensa em uma união de 15 anos, por exemplo”, argumenta.
Já o psiquiatra Alexandre Saadeh é mais incisivo: “A paixão é como uma droga, com o tempo faz-se necessário aumentar a dose para se ter o mesmo efeito”.
Resultado: é inevitável que a excitação descontrolada do início do relacionamento diminua, mas ela dá espaço a outros sentimentos igualmente gratificantes, tudo vai depender da química e da afinidade do casal, que é o que fica quando a atração se esvai. E o oposto também acontece: o conflito é fatal quando a ligação só é harmoniosa na cama. Resumindo, “dificilmente a paixão resiste ao peso do cotidiano”, sintetiza a ginecologista
Carla CeCecarello (SP).
Resgate a libido
O lado bom de tudo isso é que os sinais de que algo não vai bem por conta do sexo ficam evidentes, pelo menos entre os dois envolvidos, o que torna a reversão do quadro mais fácil. Especialistas fazem coro ao afirmar que é possível sim recuperar a libido perdida com o mesmo parceiro. “A sexualidade é riquíssima, é dinâmica. E essa transformação, que passa por várias fases, pode ser constantemente reinventada. Tudo depende da capacidade de cada um de mudar e agradar ao outro”, defende o ginecologista Amaury Mendes Jr. (RJ).
A fim de afugentar grilos, os especialista chamam atenção para alguns tabus. “O fato de sentir vontade de se masturbar ou ficar com outra pessoa não é diminuição do desejo, mas um problema que deve ser discutido entre os dois, talvez trazendo mais surpresas e fantasias para a relação”, sugere Saadeh. Para o ginecologista Eliano Pellini (SP) existem dois antídotos contra essa frieza das relações duradouras: admiração e encantamento.
“Se o processo de esfriamento não comprometer esses dois aspectos, o relacionamento está salvo e é mais fácil resgatar a libido perdida”, conclui.
O calendário e a falta de sexo
O tempo de convivência é o grande responsável pelo desgaste da relação. Apesar de ser natural, as conseqüências são devastadoras.
“Vão desde um abismo entre os dois até a separação ou mesmo um caso extra-conjugal. Ninguém quer admitir
que houve uma baixa do desejo sexual, mas sim, provar para si que são capazes de manter a chama acesa”, resume Alexandre Saadeh. “É comum que o casal passe a ter menos convivência, mas esse desfecho vai depender dos alicerces da relação e do interesse pela vida do outro”, alerta Laila. “Sexualidade tem a ver com qualidade de vida. Se os dois envolvidos são saudáveis física, psicológica e socialmente, é preciso identificar o que está atrapalhando o campo sexual e tratar com terapia”, alerta Amaury.
O papel de cada um
Outra questão polêmica são os caminhos que homem e mulher percorrem para sentir prazer. Absolutamente diferentes no tempo e na forma, é preciso que ambos contribuam para satisfazer o outro. “O homem tem que entender que a mulher, diferentemente dele, não tem desejo espontâneo, mas precisa de estímulos para
começar a sentir vontade e mais ainda para alcançar o orgasmo”, explica Amaury. Por outro lado, o clímax não é tudo. Mais do que desejada, a mulher quer se sentir amada. “Além da experiência orgástica, há prazer
no olhar, no tocar, no sentir”, diz o ginecologista Gerson Lopes (MG)
O caminho das pedras
Especialistas apontam algumas atitudes para manter a chama acesa. Confira:
●Dedique tempo à relação – Não permita que filhos e trabalho dominem o cotidiano, proponha jantares a dois, cinema, viagens. Isso traz romance e intimidade ao casal.
●Identifique a natureza das dificuldades – Depois de descartar questões hormonais, verifique se a origem do descompasso sexual está em mágoas e pendências antigas.
●Não dispense as ferramentas – Tanto acessórios para melhorar o sexo
quanto filmes sensuais podem trazer um tempero mais erótico à união de vocês.
●Cuide-se e fique linda para ele – Além de tratar do corpo, da pele e do cabelo, dê atenção às roupas e lingeries que você usa. Não deixe a preguiça vencer a vaidade.
●Tenha paciência – Ao perceber um distanciamento entre você e seu parceiro mantenha a calma, respeite o tempo que as coisas necessitam para acontecer e procure agir na hora certa, buscando a proximidade.
●Comunicação é tudo – Poucas coisas não são resolvidas com uma conversa sincera, por isso é tão importante que dialoguem sobre os desejos e aflições de cada um e assim transformem os conflitos em pontos de partida. Esse é um bom começo para que proponham uma nova vida, efetivamente mais gratificante e interessante.
“A sexualidade é muito dinâmica. Por isso, pode ser reinventada constantemente. Só depende de cada um”
Teste: A quantas anda a sua libido?
Responda sinceramente as questões e veja qual é o nível da sua vontade de se relacionar física e sexualmente com o seu parceiro
1. Ele telefona do escritório, diz que comprou um vinho e pede para que vista aquela roupinha sexy.
Você pensa:
a. Hoje não dá, já comprei ingressos para irmos ao cinema.
b. Se ele não me cobra eu até esqueço.
c. Meu Deus, hoje eu não escapo.
d. Já estou com tesão, só de pensar.
2. Ele propõe incrementar a relação com brinquedos eróticos.
A sua resposta é:
a. Vai propor isso à sua mãe.
b. Vamos conversar primeiro.
c. Não está satisfeito comigo?
d. Vamos experimentar e ver no que vai dar.
3. Durante um amasso mais íntimo em frente à TV, você:
a. Fica indiferente. Não sabe por que, mas ultimamente não pensa tanto em sexo.
b. Já é tarde, o cansaço é grande, então prefere ir dormir.
c. Esquece de onde estão e parte para cima.
d. Entusiasmada, sugere a cama para continuar o clima.
4. Ele anda cobrando mais disposição de sua parte para fazer sexo, pois hoje em dia seu interesse é quase zero. Você:
a. Fica sem jeito e prefere dizer que não é uma máquina que liga na tomada e que sexo não é tudo na vida.
b. Diz que tem muitas cobranças no trabalho e precisa apresentar um relatório com prazo para possível avaliação profissional. Porém, combina uma saída romântica com esticada para o motel no fim de semana.
c. Joga a culpa no parceiro e diz que também espera que ele tome a iniciativa.
d. Cai em si e reconhece que tem se dedicado muito a afazeres profissionais que serão importantes para a vida a dois, mas diz que está pronta para fazer amor naquela hora.
5. Carícias, beijos, palavras eróticas, ambiente romântico, música, luz fraca. Tudo isso significa:
a. Não tenho mais estímulo para essas coisas.
b. Ele só pensa em sexo.
c. Namoro com possibilidade de sexo.
d. Sexo, sexo e mais sexo gostoso.
6. Você transa sem problemas, mas não atinge o orgasmo. Então, pensa:
a. Prefiro não transar mais, pois é sempre a mesma coisa.
b. Deve ser normal, pois a mulher tem menos vontade que o homem.
c. Vou fazer com que as preliminares sejam mais interessantes.
d.Vou tentar artifícios como algemas, vendas e outras brincadeiras eróticas.
7. Quando ele toca o seu clitóris, você:
a. Sente aflição.
b. Geralmente não sente nada.
c. Acha muito gostoso.
d. Fica tão molhada que segura sua mão com força.
a vale 1 ponto
b vale 2 pontos
c vale 3 pontos
d vale 4 pontos
De 23 a 28 pontos Seu erotismo é saudável e intenso. Além de ser bem resolvida com sua sexualidade,
você valoriza seu companheiro de forma adulta e natural, sem preconceitos. Não vai para a cama com um manual,
apenas para desempenhar um papel, mas faz questão de participar produzindo uma química sadia para o prazer.
De 20 a 22 pontos Sem medo de tomar a iniciativa, você tem potencial sexual, mas precisa acreditar no
seu poder de sedução. Ouse, provoque, lembre-se que surpresas agradáveis com parceiros receptivos costumam
pegar fogo. Quanto maior a excitação de uma pessoa, maior será a resposta do parceiro.
De 15 a 19 pontos É possível que seu impulso sexual esteja fraco e seu erotismo, carregado de
preconceitos, provavelmente produzidos pela maneira com que foi criada. Resultado: auto-sabotagem. Seja mais
generosa consigo, tente ir para a cama com os cinco sentidos acionados e terá uma outra visão da sexualidade.
De 7 a 14 pontos O sinal vermelho está acesso, seus hábitos e cuidados com o próprio corpo estão
sinalizando perigo. Não se esqueça que todos nascem com um potencial sexual e reprimi-lo pode causar doenças
psicossomáticas e até depressão. Geralmente a falta da libido se estende a outras áreas da vida, como trabalho e
postura social. Para evitar esse nível extremo, procure ajuda psicológica. Mudar é a palavra de ordem.
Você já recuperou a libido perdida, sem precisar mudar de parceiro?
57% Não. “Não há paixão que resista a desentendimentos. No entanto, quando estou mais próxima emocionalmente do meu marido o desejo aumenta” Laís Tótora, por e-mail
43% Sim. “Sou casada há 11 anos e dificilmente fico desanimada para transar. Adoro sexo e acho importantíssimo para a relação” Patrícia Panini, por e-mail
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